Em desabafo no Facebook, Ildeu Moreira, fala sobre impacto dos cortes da Capes na educação básica

ildeu moreira 2Muitos de nós e diversas entidades científicas e programas de Pós-Graduação (PG) estão reclamando com razão e lutando para que os cortes de recursos da Capes na Pós-Graduação (PG) sejam repostos. Mas pouca gente, inclusive a mídia, tem destacado que os cortes atingem também a área de educação básica da Capes, que tem feito um bom trabalho e com impacto desde que foi criada: um exemplo claro disto é o Programa Institucional de Bolsas de Iniciação à Docência (Pibid). A Capes manteve todas as bolsas, mas o impacto do corte de recursos de custeio para a Capes da Educação Básica afetará programas importantes como o Plano Nacional de Formação de Professores (Parfor), Novos Talentos e as chamadas públicas para feiras e mostras de ciências e para olimpíadas científicas deste ano.

A Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) já reclamou sobre isto em sua carta à presidente Dilma de julho passado. Juntei algumas informações abaixo sobre a situação, que podem ter alguma imprecisão pela dificuldade em se obter os dados atualizados, mas que podem ajudar a manifestações e pressões políticas legítimas para a reversão deste quadro. Vale ressaltar que não está incluída aqui a Olimpíada de matemática das escolas públicas (OBMEP), a Capes não repassará recursos para a Chamada Pública conjunta com o CNPq/MCTI neste ano. Se isto acontecer de fato, o edital será reduzido de 3 milhões (já foi um pouco maior) para 2 milhões com prejuízo previsível.

Para 2015 a expectativa é de que a Chamada para Feiras e Mostras Científicas tenha 5,5 milhões, com 3,5 do CNPq e MCTI, e com 2 milhões prometidos da Capes, que de fato significariam recurso de 2016 (a serem pagos no ano próximo). Note que este edital teve 8,9 milhões em 2013 (o mesmo em 2012) e uns 6,5 milhões no ano passado. Ou seja, vai ter 40% menos que tinha 3 anos atrás. Note-se que, anos atrás, a Secretaria de Educação Básica (SEB), do Ministério da Educação (MEC), colocava recursos para estes editais e parou de fazer isto nos últimos anos. Esta redução drástica nos editais pode significar canibalismo entre os projetos. No caso das olimpíadas e de muitas feiras que já estão funcionando há anos, isto significará uma quebra de continuidade séria nos recursos.

Outro corte importante: a Chamada para apoio a periódicos científicos do CNPq/Capes terá em 2015, pelas informações liberadas, somente a metade dos recursos de 2014 (de 6 milhões para 3 milhões) porque a Capes informou ao CNPq que não repassará a parte dela (metade). 

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Duas observações adicionais:

1) A Capes repassou recentemente 2 milhões para o CNPq para cobrir a parte de Capes nas Chamadas de 2014 para feiras e mostras de ciências (1 milhão) e de olimpíadas científicas (1 milhão) o que possibilitará pagar os atrasados destes editais de 2014;

2) Neste ano, já houve o corte de recursos da Capes para o programa da Sociedade Brasileira de Física de levar professores do ensino médico Centro Europeu de Pesquisa Nuclear (CERN), instituição europeia de física de partículas que abriga o maior acelerador do mundo, o Large Hadron Collider (LHC). A sede fica em Genebra, na Suíça. Veja chamadas e resultados clicando aqui e aqui.

 

SAIBA MAIS SOBRE A QUESTÃO DA DIFUSÃO CIENTÍFICA NO BRASIL, EM ENTREVISTA PARA O JORNAL A TARDE:

ildeu a tarde

 

 

 

 

 

 

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