ENSINO DE CIÊNCIAS AINDA É DESVALORIZADO NO BRASIL

Apesar de apenas 3% dos estudantes terem vontade de serem cientistas, ainda há esperança para a área

 

Por Emile Conceição*

 

As dificuldades enfrentadas pelos professores, o ensino de ciência nas escolas, principalmente nas públicas, a alfabetização científica e o reduzido número de jovens que têm vontade de se tornar cientistas foram alguns dos temas discutidos durante a 4º edição do Encontro de Jovens Cientistas (EJC). A abertura do evento, que foi realizado no Pavilhão de Aulas da Federação III (PAF III), entre os dias 30 de outubro e 1º de novembro, no Campus de Ondina da Universidade Federal da Bahia (UFBA), teve a conferência “O papel social de um programa não formal de educação, vocação e educação científica na Bahia: é necessário, difícil, mas conseguimos!”, ministrada pela professora do Instituto de Biologia, Rejâne Lira, idealizadora e coordenadora do EJC.

Rejâne Lira, coordenadora do evento (Foto: Emile Conceição)

Rejâne Lira, coordenadora do evento (Foto: Emile Conceição)

Na ocasião, Lira explicou que o objetivo do EJC é divulgar as produções científicas de estudantes brasileiros da educação básica, pública e privada, bem como facilitar o acesso da população a temas científicos de interesse social. “Com esta experiência, estamos contribuindo para facilitar o entendimento, por parte de crianças e adolescentes, de que a ciência é dinâmica e está presente no dia-a-dia”, informou. “Pretendemos promover na comunidade uma visão sistêmica quanto à importância da formação de cidadãos alfabetizados cientificamente, ampliando sua compreensão do mundo, seu pensamento crítico frente à ciência e à tecnologia, começando pelo seu cotidiano”, completou.

Além da rotina desgastante e da baixa remuneração recebida, Rejâne falou sobre o preconceito sofrido pelos educadores. “As pessoas enchem a boca para falar que são engenheiras, mas não para falar que são professoras”, desabafou. Segundo ela, apenas 3% dos estudantes têm interesse pela carreira científica, e destes, apenas 1% querem ser professores. A pesquisadora destacou ainda a importância da alfabetização científica na vida cotidiana das pessoas, além de evidenciar o papel das escolas nesse processo de aprendizagem. “É na sala de aula, em tese, que as crianças descobrem a ciência”, disse.

Rejâne Lira finalizou a apresentação mostrando dados sobre a qualidade do aprendizado de ciência no Brasil. Ela mostrou que numa escala que vai dos níveis 1 a 5, nenhum jovem brasileiro atingiu o nível 5 em conhecimento científico. 61,8% deles ficaram no nível 1, sabedoria suficiente para resolver problemas familiares e apresentar explicações científicas óbvias que se seguem quase imediatamente a uma evidência apresentada.

No entanto, apesar do cenário parecer desanimador, muitos jovens estudantes ainda se interessam por assuntos relacionados à ciência. Dados apresentados durante a conferência apontam que 85,7% dos jovens entrevistados têm interesse em aprender sobre ciência e que 82,5% gostam de saber coisas novas sobre ciência. “O Encontro de Jovens Cientistas é um momento em que os estudantes que estão interessados na educação científica e na comunicação científica podem ver que não estão sozinhos e que a área de ciências é legal de se aprender e trabalhar”, afirmou. “Quem sabe alguns de vocês aqui presentes venham se unir a nós como cientistas no futuro”, finalizou.

 

* Estudante de Jornalismo da Ufba, estagiária da Agência de Notícias em Ciência, Tecnologia e Inovação e colaboradora do 4º Encontro de Jovens Cientistas

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